"Cabe-nos a tarefa irrecusável, seriíssima, dia a dia renovada, de - com a máxima imediaticidade e adequação possíveis - fazer coincidir a palavra com a coisa sentida, contemplada, pensada, experimentada, imaginada ou produzida pela razão." Goethe

N I N H O


Quisera poder descansar
o meu sentimento 
na palma das mãos e ponta dos dedos.

E a um sopro de distância
desvendar-te a geografia de minhas palavras,
gritos e silêncios.

Quisera o teu conhecimento
disso tudo que me diz a pele,
 olhos e sentidos, 
provocando o transbordar da alma,
o aflorar dos desejos 
e consumo dos nervos.

Quisera tudo o que és,
somado a tudo o que sinto,
bem ao alcance
de minhas mãos...

E mergulhado em meus olhos
corpo, alma e coração,
encontrasses a confirmação
de que tudo o que me constrói,
implique a essência exata
de um amor que te cative
e te faça crer.

E crendo, pudesses,
 para sempre, 
permanecer
no repouso dos meus sentimentos.

lumansanaris
Imagem: Google

CALIGRAFIA DOS VENTOS


Os ventos versam nuvens,
flores e folhas,
cabelos e tecidos,
despertam sentidos...

Olhares em festa,
 bem-me-queres bailam sonhos 
arrepiando a seda das peles,
- imagem bonita -

Sonhos, visões, flores,
pedras e labirintos,
são elementos da vida.

E há também
uma luz reservada
aos olhos que nunca desistem
de enxergar.

Um brilho acende o olhar,
na caligrafia dos ventos 
o delírio de gestos flutuantes
de um cuidar imperecível.

Lumansanaris
Imagem: Google

PRINCESINHA VITÓRIA


Era uma vez uma princesinha doce e linda chamada Vitória.  Isso mesmo, igual vitória de vencer, conquistar...
Não entendeu? Vou explicar.
Num reino não muito distante, havia um rei e uma rainha que queriam muito uma princesinha nascida do sol para lhes trazer alegria, porém, as águas da tristeza teimavam em apagar os seus sonhos... Mas eles nunca desistiram e cada vez que um sonho era apagado, acendiam outro ainda mais forte e duradouro, fazendo com que as águas se cansassem, conquistando assim, a sua Vitória.
Não sei bem se por isso, mas Vitória tinha um dom especial, bastava apenas que ela voltasse os olhinhos para alguém e este recebia imediatamente uma enorme quantidade de alegria que penetrava o mais profundo do coração e lá se fixava. Era mesmo um dom muito especial.
Bom, voltando para a história...
Vitória adorava brincar, sempre em companhia da sua cachorrinha Carlota. Carlota era uma Golden ou seja, a mistura entre uma grande bola de pelos e muitas travessuras.
Juntas, as duas passavam o dia brincando e quando a noite chegava elas viajavam até a lua. Faziam isso dentro de um carro muito especial. Ele era rosa, com bancos macios e brancos iguais a marshmallows, pneus de arco-íris e o mais legal; ele era movido a fofuras.
Bastasse que as duas entrassem no carro para que ele começasse a andar. Sim, a presença delas já era fofura suficiente para que ele disparasse e logo alçasse voo... Ia subindo, subindo e subindo, atravessando a atmosfera até alcançar a lua.
Já na lua, as duas brincavam de acordar as estrelas. Carlota latia e saltava querendo alcançá-las e isso arrancava risos da Vitória. 
Ninguém sabia, mas eram os risos da princesa que faziam brilhar bem forte as estrelinhas e algumas vezes ela até pescava algumas. Então riscos brilhantes cortavam o céu e todos os que viam diziam se tratar de “estrelas cadentes” e mais, dedicavam à elas os seus pedidos mais especiais...
A princesa se alegrava imensamente com isso e essa era a razão pela qual todas as noites ela voltava pra lua, para pescar mais algumas estrelas e depois espalhá-las nos cantinhos mais escondidos, bem onde os sonhos das pessoas adormeciam....
E assim era...  Ela se divertia enquanto acordava a magia e os sonhos das pessoas e, com a rapidez de um susto, voltava para a Terra, juntamente com a Carlota em seu carro especial.

E fim... Do conto, mas para a princesa, apenas o início de muitos outros sonhos... 


lumansanaris 
imagem: Arquivo Pessoal


CONTRAMÃO


A cada metro que avanço,
volto um pouco mais ao passado.
( E estas horas,
que só me lembram atrasos? )

Então acelero, querendo parar.

"Engulo a lágrimas" alguns sentimentos,
aumento o som
buscando, a todo momento
calar a voz do pensamento.

Peço passagem à vida da frente,
que decerto, por estar a passeio
permanece indiferente.

Aumento mais um pouco o som,
 - prefiro assim, tremendo-me o íntimo
agitando inda mais os meus tumultos. -

Mas, a certa altura,
a velocidade da vida da frente
parece-me um insulto.

Mudo de faixa, ultrapasso errado
passo, fora de compasso
evitando o retrovisor.

Acelero, enquanto congelo
o pouco que me restava de emoção.

Desligo-me em meu destino,
suspiro profundamente, invento um riso
e a bolsa me leva pelos ombros
rumo a um passado cheio de escombros
e vidas vividas na contramão.

Lumansanaris
Imagem: Tumblr
Música citada no texto: Feel the Light


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