“Não queiras ter pátria, não dividas a terra, não arranques pedaços ao mar. Nasce bem alto, que todas as coisas serão tuas...” (Cecília Meireles)

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E quando a palavra surgiu, já não se bastava mais.
Talvez culpem-lhe a demora ou a falta de estudo, pois que era verdadeira. Nasceu simples e assim permaneceu, porque tinha em si a pressa de uma criança que traz água na concha de suas mãos, na crença de poder regar um canteiro inteiro de flores.
Também possuía o corpo miúdo e por isso aguardava da redenção de um olhar, o inflar de suas asas. Aguardava, transbordando alma.
Nascida tardia e miúda, não possuía estudo, apenas a pressa de uma criança. Asas enoveladas, mãos em oferta, a sede de um canteiro inteiro e a espera de que fosse descoberta em leitura.
Possuía uma alma (faz-se necessária a insistência em lembrar), posto que a alma era sua maior vaidade.

[No dia do leitor, deixo o meu carinho e gratidão por cada olhar. Cada visita me foi como mãos em concha, regando o canteiro de minhas palavras. Gratidão.]

Imagem: Google


Um comentário:

Obrigada pelo carinho para com as minhas digitais.

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