“Não queiras ter pátria, não dividas a terra, não arranques pedaços ao mar. Nasce bem alto, que todas as coisas serão tuas...” (Cecília Meireles)

DES_ILUSÃO


A vinte e um dias de janeiro
as crenças de um recomeço
testam-me todas as forças
Quase chego a pensar
que o ano está de trapaça.

Talvez porque a um arrasto
de se dissolverem os joelhos
Pesam-me cansaços
de uma vida inteira, partida
em milhões de pedaços.

Sete ondas me quebraram
três sementes de romã na carteira
e mais meia dúzia de baboseiras
Fizeram a felicidade acreditar
que eu estava de brincadeira.


 Imagem: Google e eu

9 comentários:

  1. Risos!
    E mesmo assim se mantem o bom humor.
    1 Bjo!

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  2. O azedume quase me convenceu (por precaução, sensores de fumaça desligados na sala 2!)
    1 beijo, com 6 pedras de açúcar!

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  3. Querida amiga Lu, quando você usa seu lado natural, escrevendo em letras livres de dogmas ou regras, sua poesia fui como água do rio, com força, mas com leveza, com simplicidade, mas com beleza, com a pureza que sua alma transparece, com a alegria que o nosso mundo precisa. Por isso, o mundo precisa lhe dizer: OBRIGADO!

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  4. O lúgubre com acentuado sabor de lúdico.
    Beijos, amada poetisa.

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  5. Boa noite Lucy,
    Criativos versos..
    Espero que 2016 seja um bom ano, apesar de tudo! rs
    Um grande abraço

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  6. Olá, Lucy Mara.
    Não acredito em bruxas, mas às vezes, transformo-me em uma.

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  7. O Ano é novo, mas os cansaços são antigos, só o bom humor mesmo para nos salvar.
    Adorei, Lucy.
    Beijinho.

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  8. Minha amiga:
    Este teu poema é, antes de tudo, intrigante. Que me perdoem os que pensam que versaste a tristeza, a amargura mitigada com uma estrofe lúdica. Bem possível que eu esteja errado, mas como a fruta romã é considerada fruta do amor, e sei que disto tu sabes perfeitamente, penso que por mais que a poetiza quisesse ou tentasse esconder seus sentimentos de momento com alusão a uma árvore frutífera que na mitologia grega era consagrada a Afrodite, a Deusa do Amor. Entendo que, aqui falas de amor. Mais ainda em relação às sete ondas cuja origem provém da Umbanda, e, também sei que conheces perfeitamente o que escreveste, é uma crendice de que na virada do ano, época bastante supersticiosa, devemos pular sete ondas para atrair sorte para o ano que entra. Uma simpatia a Iemanjá que também é, para os crentes da Religião, a Deusa do amor, da sorte, da felicidade, etc.
    Espero que tenhas pulado as sete ondas e que teus sete desejos se realizem neste ano.
    Independente, porém de tudo, de crenças e crendices, de juízos de valor teu poema, como sempre, é de uma beleza triste inconfundível.
    Grande abraço
    Nelson

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Obrigada pelo carinho para com as minhas digitais.

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