"Cabe-nos a tarefa irrecusável, seriíssima, dia a dia renovada, de - com a máxima imediaticidade e adequação possíveis - fazer coincidir a palavra com a coisa sentida, contemplada, pensada, experimentada, imaginada ou produzida pela razão." Goethe

A B R I G O


Quando fizeste ranger
a porta do meu coração
Também acordaste a vida
de minhas paredes
Lembrando-me a carne
de minhas estruturas.

E como aos gomos de sol
que ultrapassam a vidraça
Convidando a ir para fora,
ampliaste-me a alma

E a esta altura
não tive outro jeito,
fui obrigada a sair de mim
Porque o coração já palpitava
uma canção que jamais
houvera me pertencido.

Era o meu amor por ti, nascido
Feito ave que canta
nalguma árvore ao lado
da casa, do ninho, do telhado.

Acordou-me como um ser
que já não mais quer ser
sozinho.
 Amar-te é tardar a sede
em respeito ao vento que brinca
de desenhar sobre as águas...

Sim... É sofrer de sede sem mágoa
Pois que se adoçam 
todas as águas dos oceanos
Quando o teu sentimento
volta-se para mim
no abrigo d’um eu te amo.


Imagem: Google

6 comentários:

  1. A profundidade de teus versos é incrível Lucy.
    Tratam muito além das palavras!
    "...ranger a porta do coração..." para não dizer das ausências e abandono, linda expressão!
    "...a carne de minhas estruturas... recordando-nos a frágil humanidade.
    As imagens singulares que te povoam os sentimentos, aqui abriria aspas para copiar o poema todo. Lindo demais menina poeta e doce amiga, lindo!
    Parabéns!
    Terno e forte abraço, Humberto.

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    1. Boa noite, adorável Lucy Mara.
      O teu sentimento amorável delineado nestes versos magnânimos é por demais comovente. Uma obra irretocável, do mais puro encanto! Receba os meus sinceros parabéns e votos de felicidades e profunda paz. Beijo terno.

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  2. Não ouso nem trazer à colação a última estrofe pois que tudo que dissesse não faria justiça à beleza de todas no conjunto.
    Forte abraço, com a admiração de sempre

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  3. Não tem jeito, por mais que eu tente, nunca conseguiria se tão romântico e preciso na tradução deste sentimento, sem despejar toneladas de pieguices. Como diríamos aqui em Belém "essa poetisa é ralada"
    Beijos, Lu.

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Obrigada pelo carinho para com as minhas digitais.

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