"Cabe-nos a tarefa irrecusável, seriíssima, dia a dia renovada, de - com a máxima imediaticidade e adequação possíveis - fazer coincidir a palavra com a coisa sentida, contemplada, pensada, experimentada, imaginada ou produzida pela razão." Goethe

DES_DIA DO BEIJO

Bastava um beijo, um só
U N Z I N H O...
...Coisa rápida
A ideia de um selinho
Já consolava.
Mas não houve beijo
Sequer em abreviação.

Nem sonho
Nem hortelãs
Nem manchas
Ou retoque de batom.

Não às salivas peraltas
E rodopiantes
Não às borboletas no estômago.
Não, não e não!

As calças permaneceram calçadas
As saias ensaiadas
As letras comportadas
Nenhuma sirene tocou
Nenhum coração se alterou.

E o juízo, ah pobre coitado
Ficou ali, aprisionado
Louco para se perder!

Tudo permaneceu
Catastroficamente normal
Sequer um selinho
Naquele correio...

Nenhuma palavra
Que desenhasse um beijo.

Recado dado, ponto final
Ponto final!

Imagem:Google

4 comentários:

Anônimo

Que poema adorável! Leve e doce, em tom de brincadeira, leitura gostosa por demais, parabéns Lucy!
Boas festas poetiza! Abraço do amigo e fã, Renato.

Henrique Caldeira dos Santos

:)
gostei bastante!
beijinho

Anônimo

Boa tarde Lu, de forma elegante e bem humorada teus versos enredam duas almas desejosos dos atos libidinosos, que mantiveram suas beatitudes intactas devido a uma questão de princípio, parabéns pelo irreverente poema, aquele abraço, MJ.

Anônimo

Talvez esteja repetindo o comentário que fiz na obra anterior. Pode ser, pois não tenho certeza que foi e também não me lembro do que escrevi na íntegra. Mas, que importa, se as palavra mudam mas o sentido permanece intacto? Penso que escrevi que todo comentário em seus textos é, via de regra, redundância. Este, também, é de uma sensibilidade e de tal forma "sui generis" que não há como parar um pouco o trabalho para ler-te várias vezes; uma forma de descanso da
mente voltada para a dureza da vida.
Penso ter dito que não há como para o trabalho, mesmo que árduo e prenhe de necessidade de atenção dobrada, para deiliar a alma com tua poesia...

A admiração por ti é enorme...
Nelson

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