“Não queiras ter pátria, não dividas a terra, não arranques pedaços ao mar. Nasce bem alto, que todas as coisas serão tuas...” (Cecília Meireles)

O CICLO DAS ÁGUAS

Quando o tempo cisma 
em derramar bençãos
ao chão
A imensidão azul do céu, 
enegrece
como se a noite se
precipitasse.

Então a vida
volta para o seu ninho
enquanto que ao pé da serra
um alvo véu, cresce... 
E crescendo 
segue o som das trovoadas 
que confessam
- Zeus vem alimentar Gaia –

Linhas d’aguas 
serpenteiam a sua chegada 
sobre as telhas...
Rescendo no ar 
o perfume da terra molhada.

Derramam-se beijando folhas
desmaiando algumas flores 
das fruteiras.
Invadem o chão com promessas
e se espalham em barreiros 
e corredeiras...

Dentro da casa
um dedo de menina faz nascer
um coração na vidraça
Fora, os irmãos - moleques que são -
disputam a melhor poça
(absolutamente indiferentes
ao romantismo da irmã)

Chove o tempo das esperanças
em mansidão e tempestades
Vencendo as horas da tarde,
a noite invade
desfolhando e fazendo brotar.

São águas que cumprem o ciclo
de suas passagens
Retornando inocentes
a margem
onde atendem
a sede das nuvens...

Inspiram olhares em rezas
ora se precipitam em enchentes
Noutras nos ensinam a secura 
das esperas.

...Eis a serenata da vida...


Imagem: Google

5 comentários:

  1. Hum... eu precisava ouvir esta sinfonia.
    Orgulhoso de ti, LU!

    ResponderExcluir
  2. Maravilhoso, Lu. Os ciclos das águas estão também em nós.

    Beijinho.

    ResponderExcluir
  3. Feliz retorno. Hoje no PC de Arthur. Ainda aguardando a Dell, mas levando... Linda poesia que en_"canta à alma". Luz e paz. Beijo no coração

    ResponderExcluir

Obrigada pelo carinho para com as minhas digitais.

Real Time Web Analytics