"Cabe-nos a tarefa irrecusável, seriíssima, dia a dia renovada, de - com a máxima imediaticidade e adequação possíveis - fazer coincidir a palavra com a coisa sentida, contemplada, pensada, experimentada, imaginada ou produzida pela razão." Goethe

O QUE NÃO DIGO


            Na tentativa de estar contigo
            soltei-me dos ombros,
            fui buscar morada
            no vento.

            Fui desfolhando, pouco a pouco
            o coração em pétalas 
            num jardim inteiro de amor
            - talvez caberia justo
            dentro d'um livro -
            mas não em mim,
            nunca dentro de mim.

            Pois que este sentimento
            sempre tanto e tão maior
            além e apesar 
            do pesar das palavras,
            sempre mais...

            Um pouquinho mais de dor
            para um tanto mais de amor
            e mais e mais amor...

            [Pois que com amor,
            a lágrima se fez seiva
            e a ferida se fez flor]

            Amor... Acaso sabes
            o quanto de celebração cabe
            dentro de um sopro de vento?

            Não pergunto porque saiba
            - eu não sei -
            mas não é esta a minha mágoa.

            Esquece tudo,
            descansa os teus mansos olhos, amor
            sente o vento passar e 
            ouve bem,
            tudo que eu não digo.

            lumansanaris 
            imagem: Google


17 comentários:

Emmanuel Almeida

O amor permanece mesmo nas sombras. Lindo versejar, Poeta!

Antenor Rosalino

O seu amorável versejar é sublime, Lucy Mara. Toca profundamente a alma dos seus privilegiados leitores, entre os quais, tenho prazer de estar incluso. Meu carinho e meus aplausos.

Arnaldo Leles

triamei!

Anônimo

Amor é o que resiste e a poetisa mostra conhecimento e extrema sensibilidade ao tema.
Sublime Lucy, parabéns!
Terno abraço, Humberto.

Almma

Que lindeza, Lu. Doce e suave como você. Beijo.

Salete

O nosso silêncio diz muito...
Poesia linda, Lucy.
Sempre bom passar por aqui.

Beijinho.

Anônimo

SERGIO NEVES - ...se esse é o teu não dizer, fico a imaginar o teu dizer,...aí, então, nem o céu é o limite... / (...se bem que entendo bem que um "não dizer" assim como versas, tem, poeticamente, muito mais força que qualquer concreto "dizer"...) / ...admirável escrito! / Carinhos, Lu.

Jaime Portela

Magnífico poema.
Tal como os que li mais abaixo.
Lucy, tenha um bom resto de domingo.
Abraço poético.

Sony Azevedo

Bom dia querida amiga, ouvi-lo em fono-recital e agora lê-lo, é senti-lo penetrar nas entranhas dos sentires. Não esqueci a estrofe: "Pois com amor, a lágrima se fez seiva, a ferida se fez flor." Uma poesia dentro de outra poesia. Luz e paz. Beijo no coração

Mar Arável

Todas as flores se desfolham

até tu ROSA

Anônimo

Amiga que lindo!
Te conheço e sinto e é tão doce e delicado isso!
Te amo demais! Beijos, na princesa também!
Flavinha

Anônimo

Ahahahahahahahah!
Liberou comentários!!!!!!Ótimo!!! Assim posso tietar bastante sem medo de censura kkkkkkkkkk!!!!
Te amo muito amiga linda, beijos!

Miguel Jacó

Boa noite Lu, teus versos enredam uma cena em que o aconchego se converte em perfeita sublimação do amor entre duas almas afins, que se doam mutuamente, parabéns pelo envolvente poema, um abraço, com os votos de uma semana de muitas satisfações, MJ.

Helio Pastre

SIM, REPLETO DE ESPÍRITOS!!
TALVEZ O CÉU A ABSOLVA, ASSIM COMO A MÁGOA DOS SEUS LEITORES.
BEIJOS, QUERIDA.

Amanda Lopes

Amiga sempre vou me repetir:
É profundo esse seu dom de semear afagos no nosso íntimo!
Faz falta sentir as digitais da tua alma doce, mas compreendo seus silêncios e creio que todos compreendem também.
Como o Helio diz "és infinita"
Beijos com carinho no coração doce e generoso.

Anônimo

Oieeeeee miga linda!
És a poetisa e criatura mais intensa e linda que conheço!
Bjusssss, Abá!

Leonardo Sasseron

"Pois que com amor
a lágrima se fez seiva
e a ferida se fez flor"

Imensurável menina Mansanaris!
Saudações andradense.

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