"Cabe-nos a tarefa irrecusável, seriíssima, dia a dia renovada, de - com a máxima imediaticidade e adequação possíveis - fazer coincidir a palavra com a coisa sentida, contemplada, pensada, experimentada, imaginada ou produzida pela razão." Goethe

POEMA DO AMOR PRÓPRIO

         
               Peço-te, amor
               que no momento em que me vires chorar
               lembra-te de que hoje, ainda é muito cedo.

               Permita-me então
               que eu te enfraqueça pelas lágrimas
               apenas desta vez e talvez, nunca mais.

               Não queira que a tua lembrança
               colonize-me feito pedra
               pois, se endurecida, solidifica-me também
               toda a essência.

              Demando-te em cascata,
              cerimoniando-me a curva dos olhos
              desaguando na virgem face, a contrição.
             - quase que como a um benzimento -

              Livra-me o constrangimento do falso riso,
              pois hoje eu te rio, cachoeira e oceano
              todos eles, em salgado pranto.

              Então, deixa-me aqui, 
              que por este sal te liberto.

              E quem sabe assim
              amanhã, eu volte a ser melhor para mim
              somente por não te ter tão dentro 
              e deserto.

              lumansanaris - in Digitais da Alma, pág 48 -
              Imagem: Google


 

5 comentários:

Arnaldo Leles

Hum! Dá gosto ler coisas assim!
Paz no seu dia!

Anônimo

Lucy,
obrigado por toda essa facilidade em surpreender os seus leitores!
Um forte abraço, Humberto.

Bell

Lágrimas... ausência e sdd fazem parte do amor e de qualquer relação humana.

bjokas =)

Anônimo

SERGIO NEVES - " ...amanhã, eu volte a ser melhor para mim..." -plagiando-te um pouquinho, pelo que de tanto a mim encantas: "... hoje, voltas a ser o melhor para mim..." / Carinhos.

Anônimo

Esse poema me encanta Lucy, aliás, o seu livro todo é extremamente lindo, parabéns pelo dom!

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