“Não queiras ter pátria, não dividas a terra, não arranques pedaços ao mar. Nasce bem alto, que todas as coisas serão tuas...” (Cecília Meireles)

CARTA AO AMOR SOBREVIVIDO



Não se engane, essa calma é aparente. Andei atravessando dores tão sofridas que precisei diminuir o ritmo, isso tudo é uma tentativa de regenerar o coração.
Amar você assim, tão desmedidamente, põe-me a prova do existir em todos os momentos. 
Delírios, verdades e contradições. E quando os sonhos me elevam,  logo após alguma felicidade vem a verdade, caprichosamente me lembrar a sua existência tão real em outras vidas, jamais na minha, nunca nela, mesmo sendo tão sua.
E tudo parece conspirar como justificativa. O amor está longe de se tornar justo.
Apenas chega, invade, transborda, toma tudo para si... Confunde  razão e coração.
Meu coração... Recolho os seus milhares de cacos, sempre uma vez mais.
E quando a noite chega, embrulho-me em um papel de estrelas... E apenas neste momento, torno-me o presente que queria ser,  apenas pela liberdade do sentir...
Sozinha e solitária, mas, sem culpas ou julgos...
Porque as estrelas calam e esse agrado me é doce. Permitem o alimento à esta vida que nunca soube ser, sempre naufragada em sentires tão avessos, inapropriados, às vezes indigestos, noutras  sedentos por qualquer coisa que não reflita carência e solidão.
Eu, em meio ao papel de estrelas,  abraçada e ouvida, momentaneamente aceita e, por isso, em  paz!
Tantas noites em segredo beijei os dois lados de sua face, a fronte, lábios e coração...
Nesse meu sentir inteiro e faminto... Cicuta e absinto.
Quantas noites frias, aqueci o seu lado da cama, depois lhe envolvi com o cobertor energizado pelo sol do dia, perfumando o seu corpo com cuidados, deixava o chá na cabeceira, bem ao lado das páginas que lhe fazem suspirar...  Coloquei-me discretamente ao seu lado, querendo e não ser sentida, mas sempre implorando ao céu que o melhor conforto lhe envolvesse.
Quantas noites de calor quis ser a brisa que lhe tocava a pele, num campo ou jardim que agradasse os seus sentidos e os conduzissem ao prazer de se sentir queimar, na verdadeira febre do amor...  Tantas noites acendi pirilampos e derrubei estrelas do céu, convidando-lhe a mergulhar em seus sonhos mais secretos.
E apesar da grandeza das noites, sempre amanheceu... Há beleza nisso, mas também, alguma violência.
Mesmo quando os sonhos em stand by, ainda assim, todas as minhas dúvidas se acalmam na certeza de que esse sentimento, é bom, verdadeiro e para sempre seu.
Não há no mundo um ser que conheça o tamanho de minha paz e a profundidade de meus conflitos.
Mas sempre sigo, às vezes solitária, noutras com o mundo nas costas e você sempre protegido e guardado no coração, como uma prova para a minha fé, num constante desafio de posse, onde sempre perco, a cada novo despertar.
É quase que constante o sangrar, nele, a dor, o amor, as ausências, os planos natimortos, os sonhos que elevam e a verdade que subtrai.
Mas, nada disso importa, desde que você esteja bem e verdadeiramente feliz, mergulhado num mar de possibilidades.  Numa vida longa e feliz.
Enquanto a mim, vou vivendo com os meus impossíveis, tendo como descanso o prêmio de alguns sonhos. Embrulhando-me em papel de estrelas, espero um dia alcançar o céu, numa viagem em desaviso.

lumansanaris 02-03-14
Imagem: Google

 

4 comentários:

  1. Vou ler com calma. Volto depois, Lu.
    Abraços, Lu

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  2. Olá.

    Belo e intenso o teu texto.
    Meus parabéns e uma boa tarde.

    ;D

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  3. Nunca li um poema de amor tão completo e puro, emocionante!
    Você escreve muito poetisa, parabéns!
    Mandei convite pelo contato, aguardo resposta, preferencialmente um ACEITO, rss...
    Abraços cordiais!

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  4. Ainda continuo lendo. Esse é carregado de significados ... mais um tempo, Lu.

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Obrigada pelo carinho para com as minhas digitais.

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