“Não queiras ter pátria, não dividas a terra, não arranques pedaços ao mar. Nasce bem alto, que todas as coisas serão tuas...” (Cecília Meireles)

THE END


Hoje senti saudade da visão clara e desprendida que me permitia descobrir galáxias, trazendo para perto as menores estrelas, as mais delicadas, sempre quis tê-las.
Absolutamente tudo me parece muito transitório, o riso e o choro da alegria, presos num momento de magia, curtem-se e se encurtam a cada momento, enquanto que na dor, o recolhimento e as lágrimas, muito mais salgadas se provocadas pela falta de amor.
E mesmo em meio a este redemoinho de sentimentos, os meus olhos permanecem ressecados, turvos, gelados, confusos e emaranhados entre o ser e o sentir, as verdades e as mentiras.
Saudade das ilusões que me adoçavam, a nudez dos sentimentos que mais parecia uma prece, ainda que nunca tenha somado nada a quem eu teria dado tudo se pudesse.
Tudo é muito transitório e por isso, nesse momento, os meus olhos parecem úmidos, mas talvez seja só o vapor do café que descansa na xícara ao lado.
Tudo é muito transitório mesmo... A temperatura do café não resistiu a hemorragia de meus dedos e esfriou... Para falar a verdade, o café gelou, semelhante ao estado de meus olhos ainda nas linhas acima.
Então fecho as cortinas, prendendo as estrelas lá fora, pois as maiores já tem donos e as menores nunca serão minhas.
E nesse último segundo, vejo-me nessa última tentativa de adormecer em silêncio, antes que a noite se acabe, mas a lembrança dos que já se foram me invade, então invoco deles a assistência, sabendo-me ser vigiada a cada segundo, talvez por isso, nem tudo no mundo seja desamparo.
Entrego os meus caminhos, as minhas verdades e erros, entendendo que talvez nunca mereça o céu, sabendo-me bem menor até que a menor de todas as estrelas.
Está tudo bem, eu sabia os riscos que corria... Suicidei sim a minha alma, mas na culpa de cada ato, a certeza do amor.
Burrice minha, que mesmo sabendo das transitoriedades da vida, insisti no propósito de alimentar/construir/cativar/ algo que durasse, que se bastasse apenas por ser verdadeiro.
Amanheceu... E as horas do dia não me servem à poesia, então vou em busca de mais um café que me desperte para a vida, desejando profundamente que nunca mais anoiteça e que o cansaço adormeça as minhas mãos, ignorando completamente as digitais que compõem o meu coração.

lumansanaris (letras do esgoto)
Imagem: Google

12 comentários:

  1. Imenso esse teu dom menina poeta. Corpo e alma acorrentados a uma beleza e delicadeza invulgar.
    Lucy de coração desejo que ainda haja muitos amanheceres, acordando essas mãos, pois sempre vi nelas o teu dulcíssimo coração.
    Abraço do amigo e fã Paulo.

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  2. oi Lucy

    As vezes me sinto assim perdida rs...
    Vi o símbolo da Act!onaid, eu ajudo eles, muito bom o trabalho.

    bjokas =)

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    1. Oi Bell
      Act!onaid e MSF, são dois trabalhos seriíssimos,
      feliz em saber que tbm apoia a Act!
      Beijo em teu coração.

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  3. this is all very touching, the poetess has the gift of letters, much love this site, congrats!
    KISSES, Will.

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  4. Amiga, isso ficou tão lindo! Amo tudo o que escreve e mais ainda você!
    Estou aqui na torcida por todos, não tenta fazer tudo sozinha, me chama quando precisar, você é e sempre será a minha irmãzinha. Um beijo, na princesa Vivi tbm! Flavinha

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  5. Espero que "letras do esgoto", seja apenas o nome de seu próximo livro e se for, sou o primeiro da fila, Lu. Muito e por demais melancólico.
    Abraços, Lu

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  6. SERGIO NEVES - Uma "carta" amargamente tristonha! Sentimentos expostos de forma a emocionar profundamente! ...com digna beleza literária. / (...o fim de alguma coisa precede o começo de outra -ou, recomeço...) / Meu carinho e minha admiração Lucy.

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  7. Boa noite amiga Lucy. Não é só poetisa, como no caso das lindas poesias no blog da Vivi, mas também escritora, parabéns! bjnhos.

    Obrigado pelo visita ao meu blog, e pelas palavras de carinho.

    P.S.: Sou devota de Santa Rita de Cássia, e eu e minha família somos muito abençoados por ela.

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  8. Bom dia Lu, amiga. Fora dos blogs e net a algum tempo, surpreendo-me com essa despedida, tão melancólica e dolorida. Espero que seja temporário, já que tudo na vida tem prazo de validade. rsrsrssr. Vou te ligar. Estou com 2 obras que me tem tomado, em demasia, o tempo. Compra de materiais, mão de obra especializada e afins, que, além do cansaço físico nos dá uma boa dose de stress. Mas passa. Muita luz e paz. Uma boa copa. Beijo no coração.

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  9. Hermoso!!!!!!!!!!!! Lindo fin de semana. :)

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  10. Olá, Lucy Mara.
    Valeu a pena percorrer um caminho tão longo para chegar aqui - minha listagem de blogs que sigo desapareceu. Teu texto fala muito de mim, nesse meu momento... vi-me o tempo quase todo nele.

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Obrigada pelo carinho para com as minhas digitais.

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