"Cabe-nos a tarefa irrecusável, seriíssima, dia a dia renovada, de - com a máxima imediaticidade e adequação possíveis - fazer coincidir a palavra com a coisa sentida, contemplada, pensada, experimentada, imaginada ou produzida pela razão." Goethe

CONTRADIÇÃO

Era pra ter sido
um livro,
reunir, organizar,
vida, poesia.

Mas,
caprichoso me veio
 o vento,
soprando para longe
todas as páginas e
linhas.

Apresentando-me
doridas saudades.

E de repente
não tinha mais
o que sempre foi meu
e continua sendo,
agora ausências.

Na pressa do abraço,
abriu-se no tempo
um espaço,
cheio de demoras.

Então,
espelhos nasceram
do cruzamento
entre esse tempo e
uma certa paciência.

Nunca antes
 havia conhecido
tanto amor,
caos e calmaria,
apoio e abandono.

A emoção
invocou o pranto
batizando os olhos
e mãos,
confortando vez ou outra,
os tumultos do coração.

Agora,
apenas versos soltos
construídos
pouco a pouco
dia a dia.

Manhã de sol,
tarde de neblina,
a noite, garoa fina
e canto das estrelas
no telhado...

E eu
uma vez mais, sozinha
contigo,
sempre ao meu lado.

**lumansanaris
Imagem: Google
  

7 comentários:

Sony Azevedo

Linda poesia que relata a solidão à dois. Já escrevi sobre isso e creio ser a mais dolorosa das solitudes. Sua metáforas ficaram lindas e suaves como sempre. São as suas digitais! Aqui, graças a Deus está começando uma trovoada, tomara que cesse o calor. Gosto do gris celeste e do barulho da chuva. Beijo miga linda, beijo na princesa.

Antenor Rosalino

O teu versejar encanta pela suavidade lírica que traduz, Lucy Mara. E neste contexto, a solidão do amor unilateral e os versos soltos desta saudade infinda, toca profundamente a sensibilidade de quem tem o privilégio de te ler. Beijo carinhoso e seja feliz, querida amiga.

Bell

Não gosto de solidão... pq ela é igual sdd chega e se instala,não bate na porta, não pede licença simplesmente vem....


bjokas =)

Anônimo

"...O canto das estrelas no telhado..."
Poetisa Lucy, essa tua veia poética estoura os meus miolos, me faz pleno do que eu nem conhecia, muitos e fervorosos aplausos!
Carinhosa e respeitosamente, Paulo David.

PAULO TAMBURRO.

LUCY MARA,

a solidão a dois é o maior equívoco que ao nosso lado a improbabilidade daquela situação delineia.

E concordo que "nenhuma manhã de sol,tarde de neblina,a noite garoa fina,canto das estrelas no telhado" podem preencher vazio tão abissal.

E de tanta profundeza que, fica proibido até mesmo, respirar.

Um abração carioca

Arnaldo Leles

Light!
Esta é Vc.
Boa noite!

Anônimo

SERGIO NEVES - ...é um sentimento de solidão muito dorido esse que versas nessas tuas poéticas entrelinhas! ... são versos tristonhos de rara beleza -... e tão sentidamente profundos!- que só da tua sensibilidade poderia ser! / Carinhos sempre, Lu.

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