“Não queiras ter pátria, não dividas a terra, não arranques pedaços ao mar. Nasce bem alto, que todas as coisas serão tuas...” (Cecília Meireles)

CONTRADIÇÃO

Era pra ter sido
um livro,
reunir, organizar,
vida, poesia.

Mas,
caprichoso me veio
 o vento,
soprando para longe
todas as páginas e
linhas.

Apresentando-me
doridas saudades.

E de repente
não tinha mais
o que sempre foi meu
e continua sendo,
agora ausências.

Na pressa do abraço,
abriu-se no tempo
um espaço,
cheio de demoras.

Então,
espelhos nasceram
do cruzamento
entre esse tempo e
uma certa paciência.

Nunca antes
 havia conhecido
tanto amor,
caos e calmaria,
apoio e abandono.

A emoção
invocou o pranto
batizando os olhos
e mãos,
confortando vez ou outra,
os tumultos do coração.

Agora,
apenas versos soltos
construídos
pouco a pouco
dia a dia.

Manhã de sol,
tarde de neblina,
a noite, garoa fina
e canto das estrelas
no telhado...

E eu
uma vez mais, sozinha
contigo,
sempre ao meu lado.

**lumansanaris
Imagem: Google
  

7 comentários:

  1. Linda poesia que relata a solidão à dois. Já escrevi sobre isso e creio ser a mais dolorosa das solitudes. Sua metáforas ficaram lindas e suaves como sempre. São as suas digitais! Aqui, graças a Deus está começando uma trovoada, tomara que cesse o calor. Gosto do gris celeste e do barulho da chuva. Beijo miga linda, beijo na princesa.

    ResponderExcluir
  2. O teu versejar encanta pela suavidade lírica que traduz, Lucy Mara. E neste contexto, a solidão do amor unilateral e os versos soltos desta saudade infinda, toca profundamente a sensibilidade de quem tem o privilégio de te ler. Beijo carinhoso e seja feliz, querida amiga.

    ResponderExcluir
  3. Não gosto de solidão... pq ela é igual sdd chega e se instala,não bate na porta, não pede licença simplesmente vem....


    bjokas =)

    ResponderExcluir
  4. "...O canto das estrelas no telhado..."
    Poetisa Lucy, essa tua veia poética estoura os meus miolos, me faz pleno do que eu nem conhecia, muitos e fervorosos aplausos!
    Carinhosa e respeitosamente, Paulo David.

    ResponderExcluir
  5. LUCY MARA,

    a solidão a dois é o maior equívoco que ao nosso lado a improbabilidade daquela situação delineia.

    E concordo que "nenhuma manhã de sol,tarde de neblina,a noite garoa fina,canto das estrelas no telhado" podem preencher vazio tão abissal.

    E de tanta profundeza que, fica proibido até mesmo, respirar.

    Um abração carioca

    ResponderExcluir
  6. SERGIO NEVES - ...é um sentimento de solidão muito dorido esse que versas nessas tuas poéticas entrelinhas! ... são versos tristonhos de rara beleza -... e tão sentidamente profundos!- que só da tua sensibilidade poderia ser! / Carinhos sempre, Lu.

    ResponderExcluir

Obrigada pelo carinho para com as minhas digitais.

Real Time Web Analytics