“Não queiras ter pátria, não dividas a terra, não arranques pedaços ao mar. Nasce bem alto, que todas as coisas serão tuas...” (Cecília Meireles)

LAPSOS


“Os delírios verbais me terapeutam...” (Manoel de Barros)

Tatuei a íris de meus olhos
tentando ocultar os  sentimentos.
Agora, grita tantas loucuras
que nem anjos, nem demônios
aproximam-se mais de mim.  
À noite, fui para a rua, vestindo apenas lua
- vendi todas as partes de meu corpo -
apenas para ter todos os espelhos como presente
e quebrá-los em milhões de pedaços
para me atrair todo o azar existente.
Serrei todos os meus dentes
quando a voz da fome me falou,
colando o estômago nas costas
provei para ele, o que realmente é dor.
- Nervos... Há muito não existem mais. 
Eu gargalhei, bem na cara do tempo
plantando fartas sementes de mentiras
já não há mais um portal que me socorra.
Coloquei-me de frente aos ventos
aguardando calmamente suas vinganças. 
Finalmente! Dizem que vai chover agulhas
teremos enfim, uma grande tempestade,
há tempos que já não uso guarda chuva.
Agora  brinco com a morte, prefiro assim
do que viver a tua ausência sentindo saudade.

Lumansanaris 04-07-2013
Imagem: Google

4 comentários:

  1. Olá.

    Gostei do texto.

    Parabéns e uma boa tarde.

    ;D

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  2. O quanto vale um amor a ponto de modificar os desígnos ou processos naturais da vida? Sua poesia revela um momento especial, mas não podemos transformar a vida em prejuízo aos demais momentos. Penso que o amor só vale a pena se extrair a felicidade, a construção, a continuidade da vida. Saudades de você no Recanto das Letras amiga. Forte e terno abraço, Humberto.

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  3. Posso estar errado, mas acredito que este seja o mais ensandecido, insano e intenso poema de amor, ou melhor,de louca paixão, que já pude ler até hoje.
    Tem como colocar uma estrela como um dos preferido?
    Um abraço tão intenso quanto a tua poesia, poetisa Lu.

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Obrigada pelo carinho para com as minhas digitais.

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