“Não queiras ter pátria, não dividas a terra, não arranques pedaços ao mar. Nasce bem alto, que todas as coisas serão tuas...” (Cecília Meireles)

DESAMPARO


Já não sei mais se são novas ou repetidas
Estas mi’as lágrimas agora derramadas
Lamentos, via-láctea de mágoas antigas
Ou novas chagas d’uma fria madrugada.

Cegos os olhos, que crendo na absolvição
Abrem os braços, uma vez e outras mais
Acreditando ter asas no lugar das mãos
Sonham varrer do céu os seus temporais.

E nesses dias em qu’o sol não beija a terra
A alma se consome em um lodo incomum
Assistindo conquistas ganhas pela guerra
Chora o amor que está em lugar nenhum.

Tenho a alma construída pelo desamparo
No peito uma fé ora sufocada pelas dores
Estas minhas lágrimas, dançam no embalo
Do covarde amor que mora nos bastidores. 

Lumansanaris
Imagem: Google

Um comentário:

Obrigada pelo carinho para com as minhas digitais.

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